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Secretaria da Agricultura e Embrapa firmam convênio para combater a incidência da mosca-das-frutas em pomares gaúchos

A espécie ocorre em todos os pomares comerciais de maçã e uva, principais frutíferas de clima temperado cultivadas no sul do Brasil, além de frutas de caroço como ameixa, pêssego e nectarina


Objetivo é o manejo adequado do inseto especialmente em videiras e macieiras - A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e a Empresa Brasileira em Pesquisa Agropecuária Uva e Vinho (Embrapa Uva e Vinho), de Bento Gonçalves, assinaram convênio, nesta quarta-feira (18/3), para a execução do projeto "Supressão populacional da mosca-das-frutas sul-americana (Anastrepha fraterculus)". A supressão se dará por meio da integração das técnicas de liberação de moscas estéreis, parasitoides e iscas tóxicas em pomares de macieira e videira, buscando mitigar a incidência do inseto no Estado. 

O convênio foi assinado pelo secretário da Seapi, Edivilson Brum, pelo chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Adeliano Cargnin. Também participaram do ato o secretário adjunto da Seapi, Márcio Madalena, os diretores do Departamento de Defesa Vegetal (DDV), Ricardo Felicetti, e do Departamento de Finanças e Execução Orçamentária da Seapi, Carolina Scapin, e o representante do deputado estadual Carlos Búrigo, Gian Zucchetti.

A Seapi fará o repasse para a Embrapa no valor de R$ 198.276,30, com duração de seis meses, buscando o aumento do parasitismo da mosca-das-frutas em hospedeiros que são multiplicadores da praga, a redução da captura de moscas-das-frutas pelo uso da captura massal e a capacidade de dispersão de moscas esterilizadas e liberadas nas áreas experimentais.
A mosca-das-frutas sul-americana é uma praga que atinge a fruticultura brasileira e tem incidência na região sul do Brasil. A espécie ocorre em todos os pomares comerciais de maçã e uva, principais frutíferas de clima temperado cultivadas no sul do Brasil, além de frutas de caroço como ameixa, pêssego e nectarina. Também ataca pequenas frutas como amora-preta, framboesa e frutíferas nativas.
"A assinatura deste convênio representa um avanço importante no enfrentamento de uma das principais pragas que impactam a fruticultura gaúcha. A partir da parceria com a Embrapa Uva e Vinho, vamos aplicar tecnologias inovadoras e sustentáveis, que combinam diferentes estratégias de controle para reduzir a população da mosca-das-frutas de forma mais eficiente", afirma o secretário Brum.
 
Seapi e Embrapa Uva e Vinho assinam convênio para combater a mosca-das-frutas
Estudos indicam que frutas infestadas pela mosca-das-frutas podem chegar a 100% de danos, caso medidas de prevenção e controle não sejam adotadas. Estima-se que cerca de 50 mil famílias de produtores rurais estejam diretamente envolvidas na produção e na cadeia produtiva dessas frutas, sendo afetados economicamente pelo ataque da praga. Na cultura da macieira, a estimativa é de que as perdas anuais causadas pela ocorrência da mosca-das-frutas alcancem anualmente R$ 25 milhões.
Para o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, o convênio significa avançar em pesquisa, tecnologia e desenvolvimento para conduzir e finalizar pesquisas em execução há quatro anos, validando o projeto do inseto estéril com controle da mosca-das-frutas. "Na fruticultura do Rio Grande do Sul, esse convênio vai atender duas grandes culturas de importância econômica que são a uva e a maçã. É uma técnica limpa e moderna que não impacta no meio ambiente, no produtor e no consumidor, por isso é de extrema importância o que estamos assinando hoje", ressalta Cargnin.
Segundo o diretor do DDV, é fundamental que sejam aprimoradas as estratégias de manejo da espécie do inseto porque visa a fomentar este trabalho de pesquisa no controle biológico da mosca-das-frutas que hoje é a principal praga da fruticultura em nível nacional. "Isso é um grande impedimento às exportações e tem demandado muito uso de agroquímicos. Nesse sentido, o desenvolvimento de medidas de controle biológico e integrado, possibilita um manejo mais eficiente e mais seguro para o consumidor. É uma iniciativa que vai trazer benefícios não só para viticultura, mas para a fruticultura em geral", enfatiza Felicetti.
Alternativas de manejo - Entre as alternativas de manejo está o uso de Inimigos Naturais (parasitóides), a Técnica do Inseto Estéril (TIE) e a integração dessas tecnologias com técnicas de atrair e matar a mosca-das-frutas com iscas tóxicas, as quais são consideradas tecnologias "limpas", visto que não deixam resíduos nos frutos, não são tóxicas e possuem mínimo impacto negativo ao ambiente.
Paralelamente devem ser continuadas pesquisas buscando identificar moléculas que apresentem ação sobre adultos/larvas e novos semioquímicos tanto para o monitoramento como para uso em iscas tóxicas para controle de adultos. *Fabrízio Fernández/Ascom Seapi  - Foto: Cassiane Osório/Ascom Seapi
 

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