Safra de laranja 2025/26 é encerrada com produção total de 292,94 milhões de caixas
Leia também: Produção e porte da lima-ácida Tahiti são influenciados pelo porta-enxerto, aponta pesquisa do IAC -
Balanço entre chuvas do início do ano e aumento da queda de frutos das variedades tardias deixa número final estável em relação à reestimativa de fevereiro - O fechamento da safra de laranja 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro, divulgado pelo Fundecitrus nesta sexta-feira (10/4), é de 292,94 milhões de caixas de 40,8 kg. A produção desta temporada foi 26,9% maior do que a de 2024/2025, que foi encerrada com 230,87 milhões de caixas, e 6,9% menor do que a projeção inicial, de 314,60 milhões de caixas, feita em maio de 2025.
Fatores climáticos, mais precisamente o déficit hídrico ao longo do ciclo, e fatores fitossanitários, mais precisamente o efeito da alta incidência de greening no cinturão, associados à colheita mais tardia do que o habitual, devido
principalmente à elevada proporção de frutos de segunda florada, contribuíram para a redução do peso dos frutos e para o aumento da taxa de queda em relação à estimativa inicial.
Laranjais da Simonetti Citrus, Aguaí/SP
De maio de 2025 a março de 2026, na média acumulada de todas as regiões, choveu 1.135 milímetros no cinturão, 13% menos do que a média histórica (1991-2020), segundo dados da Climatempo Meteorologia. Os maiores déficits foram observados nas regiões do Triângulo Mineiro e de Altinópolis, ambas no setor Norte, onde choveu 30% abaixo da série histórica. Apenas o setor Sul, que abrange as regiões de Porto Ferreira e Limeira, registrou volumes pluviométricos acima da série histórica, com valores de 9% e 2%, respectivamente.
Chuva - Em meados de janeiro, devido ao ritmo mais tardio da colheita, ainda restavam cerca de 25% dos frutos da variedade Valência, 25% de Folha Murcha e 23% de Natal para serem colhidos até o final de março. Esse remanescente foi beneficiado pelas chuvas dos primeiros meses de 2026, que, apesar de abaixo da média histórica, favoreceram um discreto aumento no peso dos frutos em relação ao projetado na reestimativa de fevereiro.
Considerando o tamanho médio dos frutos colhidos em todas as variedades e sua comparação com a estimativa inicial de maio de 2025, o número de laranjas necessárias para completar uma caixa de 40,8 kg aumentou de 258 (158 gramas por fruto) para 266 frutos (153 gramas por fruto).
Taxa de queda - Com a colheita mais tardia, os frutos permanecem mais tempo expostos a fatores climáticos e fitossanitários, o que favorece a queda de frutos, sobretudo nas variedades tardias. O grupo de variedades Valência e Folha Murcha apresentou aumento da taxa de queda para 26,0%, correspondendo a 0,4 ponto percentual acima do projetado na reestimativa de fevereiro, enquanto a variedade Natal registrou taxa de queda de 28,8%, 0,3 ponto percentual superior à reestimativa de fevereiro.
De forma geral, a taxa de queda acumulada desde o início da safra aumentou para 23,2% no cinturão citrícola, o que representou um acréscimo de 3,2 pontos percentuais em relação à projeção realizada em maio de 2025.
A perda de produção decorrente da queda prematura de frutos foi estimada em aproximadamente 88,49 milhões de caixas. O principal motivo dessa perda na safra foi o greening, contribuindo com 13,0% (dos 23,2% totais), o que corresponde a 49,59 milhões de caixas.
Estimativa da safra 2026/27 - A estimativa da safra de laranja e o Inventário de Árvores serão divulgados no dia 8 de maio de 2026, às 10h, em evento presencial no Fundecitrus - com transmissão e tradução simultânea em inglês pelo canal do YouTube da instituição.
A Pesquisa de Estimativa de Safra (PES) é realizada pelo Fundecitrus em parceria com o professor titular (aposentado) da FCAV/Unesp José Carlos Barbosa.
Acesse o relatório completo: https://www.fundecitrus.com.br/wp-content/uploads/2026/04/0426_Fechamento-da-Safra-de-Laranja.pdf
*REBECA COME TERRA/FUNDECITRUS - Daniele Merola ([email protected]) - Rafael de Paula ([email protected])
Produção e porte da lima-ácida 'Tahiti' são influenciados pelo porta-enxerto, aponta pesquisa do IAC - Escolha do porta-enxerto é determinante para produtividade e qualidade da fruta - A lima-ácida 'Tahiti', uma das frutas mais produzidas no Brasil, apresenta sazonalidade marcada, com maior oferta no primeiro semestre e menor produção, porém com preços mais elevados, entre julho e novembro. Nesse contexto, o manejo e, especialmente, a escolha do porta-enxerto, são fatores decisivos para o sucesso da cultura, influenciando produtividade, vigor das plantas, qualidade dos frutos, resistência a doenças e tolerância ao déficit hídrico.
Pesquisa do IAC avalia combinações de copa e porta-enxerto - Cerca de 90% dos pomares nacionais de Tahiti utilizam materiais do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas. O instituto realiza estudos para avaliar porta-enxertos, com foco em condições de estresse hídrico, buscando identificar combinações mais eficientes entre copas e porta-enxertos.
Os resultados indicam que a escolha do porta-enxerto deve ser considerada junto ao clone da lima-ácida, especialmente em sistemas irrigados. Alguns porta-enxertos de menor porte apresentaram precocidade produtiva, característica valorizada quando há suplementação hídrica.
Interação entre porta-enxerto e clone impacta produção - Estudos mostram que porta-enxertos vigorosos promovem maior crescimento vegetativo, mas não garantem necessariamente maior produção inicial. Já materiais de menor vigor podem ser ideais para plantios adensados e sistemas irrigados, oferecendo maior eficiência produtiva. A pesquisadora do IAC, Mariângela Cristofani Yaly, explica:
"A escolha da combinação copa/porta-enxerto deve considerar o sistema de produção adotado, pois recomendações baseadas apenas no desempenho médio podem gerar interpretações equivocadas."
Palestra sobre manejo foi destaque no Dia do Limão Tahiti e Expolimão - O tema abordado por Mariângela Cristofani Yaly durante o 26º Dia do Limão Tahiti e a 7ª Expolimão, aconteceu em 09 de abril, em Bebedouro (SP). Os eventos foram direcionados a produtores e empresários do setor e são realizados em parceria pelo IAC, APTA Regional Pindorama e Fundação Coopercitrus Credicitrus.
A programação completa deste evento e de outros da citricultura brasielira, está disponível no site: https://ccsm.br/eventos/dia-limao-tahiti/.
Avaliação de porta-enxertos em diferentes regiões paulistas - O IAC realiza experimentos em regiões como Araras, Bebedouro, Cordeirópolis, Paranapuã e Cândido Rodrigues, em parceria com a Embrapa Mandioca e Fruticultura, produtores locais e a Fundação Coopercitrus Credicitrus.
O limão Cravo continua sendo o principal porta-enxerto, especialmente devido ao uso do clone Quebra-Galho, enquanto o trifoliata Flying Dragon vem se expandindo por permitir plantas de menor porte sem comprometer a qualidade dos frutos.
São Paulo e Minas Gerais lideram produção nacional - Os cinturões citrícolas paulista e mineiro concentram cerca de 70% da área cultivada no país, posicionando o Brasil entre os principais produtores mundiais de limas ácidas e limões. O estado de São Paulo destaca-se pela extensa área plantada e relevância econômica da cultura. *Portal do Agronegócio - 08/04/2026.
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