Revestimento contendo quitosana prolonga a vida útil da pitaya por até 25 dias sob armazenamento refrigerado
Quando associada ao ácido ascórbico, seus efeitos podem ser potencializados, contribuindo para a manutenção da qualidade e o prolongamento da vida útil dos frutos
A pitaya tem ganhado destaque no mercado brasileiro por sua aparência exótica, valor nutricional e propriedades antioxidantes. No entanto, é uma fruta altamente perecível, com rápida perda de qualidade após a colheita, o que dificulta sua conservação e comercialização. Nesse contexto, o uso de revestimentos comestíveis surge como uma alternativa promissora. A quitosana, um biopolímero natural, atua formando uma barreira protetora que reduz a perda de água, controla trocas gasosas e inibe microrganismos. Quando associada ao ácido ascórbico, seus efeitos podem ser potencializados, contribuindo para a manutenção da qualidade e o prolongamento da vida útil dos frutos. Assim, estudos nessa área buscam desenvolver estratégias sustentáveis que viabilizem a conservação da pitaya e reduzam perdas pós-colheita.
Principais resultados dessa pesquisa: Em um cenário em que a pitaya ganha cada vez mais espaço no mercado, mas ainda enfrenta grandes desafios de conservação pós-colheita, os resultados deste estudo trazem avanços importantes e aplicáveis à realidade produtiva. Confira os principais destaques:
- Menor perda de massa e mais frescor: o tratamento com quitosana 4% associada ao ácido ascórbico apresentou a menor perda de massa (4,15%), indicando maior retenção de água e melhor conservação dos frutos.
- Vida útil ampliada de forma prática: frutos tratados com quitosana + ácido ascórbico mantiveram qualidade comercial por até 20 dias sob refrigeração, enquanto os não tratados perderam valor de mercado muito antes.
- Aparência que vende preservada: a qualidade visual, fator decisivo para o consumidor, foi mantida por mais tempo nos frutos com revestimento combinado, enquanto controle e quitosana isolada já apresentavam queda acentuada a partir de poucos dias.
- Textura mais estável: a quitosana, especialmente a 4%, contribuiu para maior firmeza da polpa, ajudando a manter a integridade do fruto durante o armazenamento.
- Cor mais atrativa por mais tempo: os tratamentos com ácido ascórbico retardaram alterações de cor, mantendo o aspecto fresco e vibrante da pitaya até 20 dias.
- Sabor preservado: os teores de açúcares (sólidos solúveis) permaneceram estáveis, mostrando que os revestimentos não comprometem a qualidade sensorial.
- Mais compostos bioativos: houve aumento da atividade antioxidante e dos compostos fenólicos ao longo do armazenamento, principalmente nos frutos tratados, agregando valor funcional.
- Proteção metabólica eficiente: os revestimentos atuaram reduzindo o avanço da senescência e ajudando a manter o equilíbrio fisiológico dos frutos.
- Combinação que faz a diferença: a associação de quitosana com ácido ascórbico quitosana 3% + acido ascórbico e quitosana 4% + ácido ascórbico, mostrou efeito sinérgico, sendo a estratégia mais eficiente na conservação.
- Impacto direto no produtor e mercado: tecnologia simples, sustentável e promissora para reduzir perdas pós-colheita, aumentar o tempo de comercialização e agregar valor à pitaya brasileira.
Conclusão da Pesquisa: A pitaya armazenada sob refrigeração (12 °C e 80% de umidade), tanto sem tratamento quanto com quitosana isolada, manteve qualidade de venda por até 10 dias. Já quando a quitosana foi combinada com ácido ascórbico, a vida útil dobrou, chegando a 20 dias. Isso mostra um grande potencial dessa tecnologia para reduzir perdas pós-colheita, principalmente em cadeias de refrigeração. Mesmo com esses resultados promissores, é importante ter cautela. Os testes foram feitos em condições controladas, então ainda é preciso validar essa aplicação em escala comercial, avaliando diferentes variedades de pitaya e também os custos envolvidos.
A pesquisa foi publicada na revista Horticulturae, da editora MDPI, uma revista científica internacional com fator de impacto 3,0 na área de ciências agrárias e pós-colheita.
*Anderson Rodrigo Luciano da Silva; Fred Augusto Louredo de Brito; Adriano do Nascimento Simões.
Referência Bibliográfica: SILVA, A. R. L.; OLIVEIRA, J. C. C. G.; BRITO, F. A. L.; NASCIMENTO, F. B.; FREIRE, R. I. S.; NOGUEIRA, A. L. S.; SILVA, W. A. O.; SÁ, S. A.; RAMOS, D. G. M.; MELO, N. J. A.; MORAIS, P. L. D.; MENDONÇA, V.; SANTOS, I. S.; SILVA, V. N. S.; RIBEIRO, J. E. S.; SIMÕES, A. N. Chitosan and ascorbic acid combination for extending the postharvest quality of cold-stored pitaya. Horticulturae, v. 12, n. 4, p. 474, 2026. DOI: https://doi.org/10.3390/horticulturae12040474
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