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DDPA intensifica monitoramento de abelhas mamangavas nativas na fronteira com o Uruguai

A iniciativa surgiu diante da possibilidade de entrada no Brasil da mamangava europeia (Bombus terrestris), uma espécie invasora introduzida no Chile para polinização agrícola


Pesquisadora Sidia Witter participa de evento sobre abelha mamangava em SP

Secretaria da Agricultura segue estudo e faz coleta para novas etapas do projetoO Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi) avançou em mais uma etapa do monitoramento de abelhas mamangavas nativas na região de fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai. As ações ocorreram na última terça-feira (27/1) e quarta-feira (28/1) e integram o projeto "Status das espécies de mamangavas nativas (Bombus) em áreas suscetíveis à invasão de Bombus terrestris na fronteira Brasil-Uruguai", iniciado em setembro de 2025. 

A iniciativa surgiu diante da possibilidade de entrada no Brasil da mamangava europeia (Bombus terrestris), uma espécie invasora introduzida no Chile para polinização agrícola. Embora contribua para o aumento da produtividade de culturas como o tomate, essa espécie pode competir por recursos naturais com as mamangavas nativas e transmitir doenças, representando risco ambiental para as populações locais.

Segundo a coordenadora do estudo, a pesquisadora do DDPA Sidia Witter, o objetivo principal é "avaliar a composição, a abundância e o uso de recursos florais por espécies de abelhas nativas de Bombus em áreas vulneráveis à invasão da espécie exótica B. terrestris, gerando subsídios para ações de conservação e políticas públicas".
 
DDPA/Seapi realizou nos dias 27/1 e 28/1 nova etapa de monitoramento de mamangavas nativas 
 
O monitoramento é realizado mensalmente e abrange nove municípios da fronteira: Arroio Grande, Pedro Osório, Herval, Pinheiro Machado, Pedras Altas, Candiota, Hulha Negra, Bagé e Aceguá, totalizando 320 quilômetros percorridos por mês ao longo das beiras de estrada. Até o momento, não há registros da espécie de mamangava invasora no Rio Grande do Sul.
Flora nativa do Bioma Pampa
Centro de Pesquisa de Hulha Negra integra os estudos - Parte dos experimentos de campo são desenvolvidos no Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Sistemas Integrados e Meteorologia Aplicada (Cesimet), ligado ao DDPA, em Hulha Negra, onde foram cultivadas áreas de trevo vermelho, ervilhaca e feijão, plantas reconhecidas pela elevada atratividade para mamangavas. O arranjo das áreas com diferentes espécies de leguminosas busca garantir oferta contínua de flores ao longo do ano, permitindo análises mensais das populações de mamangavas nativas.
 
 
Pesquisadores do DDPA/Seapi realizando pesquisa a campo do projeto mamangavas nativas
 
O cultivo de leguminosas, além de alinhado com o manejo do campo nativo, é altamente atrativo para espécies nativas de  Bombus e pode representar uma alternativa relevante de recursos alimentares para estas e outras abelhas nativas, além ser utilizada para a cobertura do solo e aporte de nitrogênio principalmente em áreas de pastagens tão importantes para região. Portanto, a conservação das abelhas nativas  Bombus está alinhada ao manejo das pastagens nativas do Bioma Pampa.
O melhoramento das pastagens nativas integrada à pecuária tradicional reforça a resiliência dos sistemas produtivos e os serviços ecossistêmicos essenciais, como a polinização, demonstrando que a conservação da biodiversidade e a produção pecuária sustentável podem caminhar lado a lado.
A pesquisa é coordenada e conduzida por pesquisadores do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Agronômica (Ceagro), de Porto Alegre, e do Cesimet, com a colaboração de pesquisadores da Universidade de São Paulo ( USP), Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Orientação à população - Caso uma mamangava europeia (veja diferenças entre a mamangava europeia e as nativas do Rio Grande do Sul na imagem acima) seja observada no Brasil, a orientação é não eliminar o inseto. A ocorrência deve ser comunicada ao DDPA pelo e-mail [email protected], preferencialmente acompanhada de foto e localização geográfica.
*Texto: Fabrízio Fernández/ Ascom Seapi - Fotos: Fernando Dias/ Ascom Seapi - Tel: (51) 3288-6210/ 288-6211/3288-6224/3288-6228.

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