Eventos

O Brasil está avançando na abertura do mercado cubano para a exportação de frutas, como limões Taiti e laranjas

Leia também: Missão internacional esteve no RS para avaliar abertura de mercado cubano para a maçã


O Brasil poderá se juntar ao seleto grupo de países autorizados a exportar frutas frescas para Cuba. O gigante latino-americano está em negociações com as autoridades cubanas, que demonstraram interesse em limões-taiti, laranjas, além de uvas e maçãs.

Desde o início desta semana, uma missão da Organização Nacional de Proteção Fitossanitária de Cuba (ONPF) está no Brasil realizando uma auditoria para avaliar as condições de abertura do mercado cubano à importação de frutas brasileiras.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) do Brasil  detalhou que, como parte da agenda, representantes da Diretoria de Defesa Agropecuária do estado de São Paulo apresentaram as medidas implementadas para garantir que os limões Taiti e laranjas atendam aos requisitos fitossanitários exigidos por Cuba.

Também participaram da reunião engenheiros agrícolas responsáveis ??pelos programas estaduais de certificação fitossanitária para exportação e saúde dos citros.

Durante a missão, os representantes cubanos visitaram unidades de produção e o centro de consolidação nos municípios de Santa Adélia e Matão (SP), onde conheceram os sistemas de rastreabilidade, as medidas fitossanitárias aplicadas e os procedimentos estabelecidos na legislação brasileira que garantem a sanidade da citricultura paulista.

Além de São Paulo, a missão cubana também visitará áreas produtivas no Vale do São Francisco e em Vacaria/RS, com o objetivo de conhecer os sistemas de produção de uvas e maçãs, regiões reconhecidas pela excelência nessas culturas e com potencial para atender aos requisitos fitossanitários.

O programa será concluído com uma reunião entre os auditores cubanos e representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Pescas (MAPA). Os resultados da visita e os próximos passos para a abertura do mercado serão discutidos. 

Cuba e sua abertura a frutas estrangeiras - Segundo relatório da ProChile "Estudo Frutas Frescas Cuba 2025", com uma população de 10 milhões de habitantes e 2,2 milhões de turistas (só em 2024), Cuba enfrenta uma produção limitada de frutas e vegetais, com apenas 44% de sua área cultivada e uma queda acentuada na produção de frutas.

Além disso, a agricultura neste país caribenho não prioriza o cultivo de frutas, mas sim culturas básicas de ciclo curto para alimentar a população. Diante da produção local insuficiente e da demanda por frutas locais, as importações tornam-se cruciais, especialmente durante os meses de baixa disponibilidade local.

O relatório destaca que a importação de frutas, inicialmente voltada para o turismo e o varejo estatal, começou a se expandir graças à dolarização parcial do mercado e ao surgimento de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs).

Da mesma forma, embora devam realizar as contratações por meio de importadores estatais, as empresas privadas dinamizaram o mercado varejista, contribuindo para a diversificação da oferta e criando novas oportunidades de negócios.

"O consumo de frutas é limitado por fatores como sazonalidade, preços elevados e baixo poder aquisitivo. No entanto, está surgindo um segmento com maior poder aquisitivo que busca frutas de maior qualidade, impulsionando a demanda por frutas importadas, como maçãs, peras, uvas e frutas cítricas", afirma o documento. 

O Chile, os Estados Unidos e o Canadá estão autorizados a exportar frutas para Cuba porque estas atendem a rigorosos requisitos fitossanitários . Graças ao Acordo de Complementação Econômica (ACE 42), o Chile goza de tarifa zero sobre as frutas demandadas por esse mercado, o que lhe confere uma vantagem competitiva. 

*Matéria do Portal Frutícola/Fotografias de Felipe Nunez, Defesa Agrícola via Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (MAPA) - 10/04/2026.

Autoridades cubanas acompanhadas de profissionais de pesquisa e produtores de maçã, visitando packig-house em Vacaria, polo gaúcho da produção da fruta

Missão internacional esteve no RS para avaliar abertura de mercado cubano para a maçã - A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), acompanhou nesta quinta-feira (9/4) a visita de uma auditoria internacional conduzida pela Organização Nacional de Proteção Fitossanitária (ONPF) de Cuba, no município de Vacaria, nos Campos de Cima da Serra. A Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM) apresentou dados sobre a cadeia produtiva, pesquisadores da Embrapa falaram sobre as pragas que atingem a fruta e a Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Seapi apresentou o processo de certificação. Os auditores também estiveram em duas empresas exportadoras de maçã, com o objetivo de conhecer o sistema de produção da maçã, região reconhecida pela excelência na cultura e com potencial para atender às exigências fitossanitárias estabelecidas. 

"O trabalho desenvolvido pela Secretaria junto aos produtores trouxe o respaldo que os técnicos cubanos estavam buscando, da rastreabilidade, de saber que tudo está de acordo com as normas. E é importante para o estado, para a cadeia produtiva, a abertura de novos mercados, para garantir o escoamento dos produtos que são de excelente qualidade", destaca a chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal do Departamento de Defesa Vegetal (DDV) da Seapi, Deise Feltes Riffel, que acompanhou a missão.

O Rio Grande do Sul é o maior exportador de maçã do Brasil, exportando para 36 países, sendo os principais destinos a Índia, Portugal e Irlanda. O estado produziu, no ano de 2025, 567,40 mil toneladas, sendo os principais produtores os municípios de Vacaria, Bom Jesus e Caxias do Sul. Os dados estão publicados na Radiografia da Pecuária Gaúcha 2025, produzida pela Seapi.
 
Missão - A missão está no Brasil desde o início da semana e tem como objetivo avaliar as condições para a abertura do mercado cubano à importação de frutas brasileiras. A visita começou por São Paulo, onde verificaram os programas estaduais de certificação fitossanitária para exportação e de sanidade dos citros e também visitaram áreas produtivas no Vale do São Francisco, com vistas à exportação de uva.
 
A programação foi encerrada com uma reunião entre os auditores cubanos e representantes do Mapa, quando foram discutidos os resultados da auditoria e os próximos passos para a abertura do mercado.
 
*Maria Alice Lussani/Ascom Seapi - Foto: Deise Feltes Riffel/ Seapi

Comentários