Bananicultura em Santa Catarina avança com novas práticas de manejo e pós-colheita
Leia também: Enchente no Rio Ribeira de Iguape, atinge aproximadamente 7 mil hectares de bananais no Vale do Ribeira em São Paulo
Seminário em Jacinto Machado reuniu produtores e especialistas para discutir mercado, qualidade das frutas, controle da Sigatoka, saúde do solo e agregação de valor - Produtores rurais, técnicos e especialistas participaram do Seminário de Bananicultura realizado em Jacinto Machado, no Sul de Santa Catarina. O encontro debateu estratégias para aumentar a produtividade, melhorar a qualidade das frutas e fortalecer a competitividade da cadeia produtiva da banana.
A programação combinou análises de mercado, orientações sobre pós-colheita e agregação de valor com atividades práticas em campo. O objetivo foi aproximar conhecimento técnico, pesquisa e novas tecnologias da realidade enfrentada pelos bananicultores da região.
O seminário foi promovido pelo Sistema Faesc/Senar, Sindicato dos Produtores Rurais de Jacinto Machado, Epagri, Cooperja e Pomar Cooperja. A iniciativa também contou com o apoio de Syngenta, Fecoagro, Basf, Yara, Amvac e Campo Ar Drones.
Mercado e pós-colheita influenciam rentabilidade da banana - As atividades começaram no auditório da Cooperja, com uma mesa-redonda sobre mercado, qualidade pós-colheita e agregação de valor. O debate abordou fatores que interferem diretamente na rentabilidade da bananicultura, desde o comportamento da comercialização até os cuidados adotados depois da retirada dos cachos do campo. Foto:Sistema Faesc-Senar
O cenário de mercado foi apresentado por Rogério Goulart Junior, do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa). O técnico da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar/SC, Gerri Ronssani Monteiro, tratou dos procedimentos relacionados à qualidade pós-colheita.
Maria Luiza Tomazi Pereira, da Epagri, apresentou alternativas para agregar valor à produção. Essa etapa pode ampliar as possibilidades de comercialização e diferenciar as frutas, especialmente quando associada à qualidade, ao processamento e à organização da cadeia produtiva.
Manejo da Sigatoka e saúde do solo ganham atenção - No período da tarde, a programação foi realizada no Campo Demonstrativo da Cooperja (CDC). Os participantes percorreram estações técnicas dedicadas a diferentes desafios da produção de banana.
As orientações contemplaram manejo da adubação, controle fitossanitário, saúde do solo, utilização de biofertilizantes e estratégias para o manejo da Sigatoka. A doença exige monitoramento constante por comprometer a área foliar das plantas e representar risco à produtividade e à qualidade dos frutos.
Na estação do Sistema Faesc/Senar, as atividades foram conduzidas pelo supervisor técnico da ATeG, Jaison Buss, e pelo técnico de campo Gerri Ronssani Monteiro.
O formato prático permitiu que os produtores observassem técnicas e discutissem como adaptá-las às condições das propriedades. Bananicultores de Jacinto Machado e de outros municípios da região participaram das atividades.
Assistência técnica aproxima inovação das propriedades - A programação também estimulou a troca de experiências entre produtores, pesquisadores, técnicos e instituições ligadas à bananicultura. A proposta foi facilitar o acesso a informações capazes de apoiar decisões sobre manejo, produtividade, qualidade e sustentabilidade.
A supervisora regional do Senar/SC, Sueli Silveira Rosa, destacou que as ações realizadas em parceria ampliam o acesso ao conhecimento técnico. Segundo ela, a integração entre produtores e organizações do setor contribui para compartilhar experiências e levar soluções aplicáveis ao cotidiano das propriedades.
Para o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Jacinto Machado, Ledio João Lucietti, o encontro proporcionou uma compreensão mais abrangente dos fatores que determinam a competitividade da produção catarinense de banana.
"A programação proporcionou aos participantes uma visão mais ampla da atividade e dos fatores que influenciam a competitividade da bananicultura catarinense. Foi uma parceria muito positiva para o setor", afirmou.
Cooperação busca fortalecer a bananicultura catarinense - O presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, ressaltou que a cooperação institucional ajuda a aproximar pesquisa, inovação e orientação técnica dos produtores rurais.
"Parcerias como essa aproximam a pesquisa, a inovação e a Assistência Técnica e Gerencial do produtor rural, facilitam a adoção de novas tecnologias e contribuem para propriedades mais eficientes, competitivas e preparadas para os desafios da atividade", declarou.
Ao reunir conteúdo técnico e demonstrações em campo, o seminário reforçou a importância do planejamento em todas as etapas da bananicultura. Do manejo do solo à comercialização, a integração entre conhecimento, tecnologia e assistência técnica pode contribuir para melhorar os resultados das propriedades e fortalecer a produção de banana no Sul de Santa Catarina. *Portal do Agronegócio - 16/09/2026.
Enchentes atingem 11,2 milhões de pés de banana e causam prejuízo estimado em R$ 175 milhões no Vale do Ribeira - Levantamento preliminar aponta cerca de 7 mil hectares de bananais afetados pela cheia do Rio Ribeira de Iguape; recuperação das áreas produtivas pode exigir R$ 210 milhões - A cheia do Rio Ribeira de Iguape, provocada pelas fortes chuvas de setembro, atingiu aproximadamente 11,2 milhões de pés de banana e causou prejuízos estimados em R$ 175 milhões à bananicultura do Vale do Ribeira, no interior de São Paulo. Os números fazem parte de um levantamento preliminar da Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira (Abavar), divulgado após as inundações que comprometeram propriedades rurais e deixaram municípios da região em situação de emergência.
Segundo a associação, cerca de 7 mil hectares de plantações foram alcançados pela água. A estimativa considera os danos às lavouras e as perdas na produção que seria colhida nos próximos meses. Além dos R$ 175 milhões em prejuízos, a entidade calcula que serão necessários aproximadamente R$ 210 milhões para recuperar as áreas atingidas e restabelecer a atividade produtiva. Os valores ainda podem ser revisados após a conclusão das avaliações nas propriedades.
Enchente setembro de 2026 no Vale do Ribeira em São Paulo - Foto: Reprodução-Defesa Civil de São Paulo
As enchentes ocorreram após uma sequência de chuvas intensas em São Paulo e no Paraná, entre a segunda e a terceira semana de setembro. A elevação do Rio Ribeira de Iguape provocou inundações em áreas urbanas e rurais e levou ao reconhecimento da situação de emergência em Eldorado, Registro, Ribeira, Iporanga e Barra do Turvo.
Com o recuo das águas, os produtores começaram a dimensionar os estragos. Parte das plantações permaneceu submersa, enquanto estradas e acessos utilizados para transportar a produção foram danificados ou ficaram bloqueados.
O levantamento aponta que as perdas não se restringem aos bananais. Cultivos de palmito pupunha, propriedades dedicadas à pecuária leiteira e estabelecimentos ligados à produção de laticínios também foram afetados. Os danos atingem uma cadeia econômica que envolve agricultores, trabalhadores rurais, transportadores, comerciantes e fornecedores de insumos.
Plantações de banana foram atingidas pela cheia do Rio Ribeira de Iguape. Segundo levantamento preliminar da Abavar, cerca de 7 mil hectares e 11,2 milhões de pés de banana foram afetados - Foto: Carlos Abelha/TV Tribuna
O presidente da Abavar, Augusto Aranha, afirmou que a redução do nível da água representa o início de uma nova etapa para os produtores. Segundo ele, milhões de bananeiras precisarão ser recuperadas ou replantadas, processo que exigirá investimentos e trabalho ao longo dos próximos meses. A entidade destaca que a recuperação da atividade é importante não apenas para os proprietários rurais, mas também para a manutenção da renda e dos empregos vinculados à produção e à comercialização da fruta.
A banana ocupa posição central na economia agrícola do Vale do Ribeira. Segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA), citados no levantamento divulgado, a cultura representa 84% do valor da produção agropecuária regional, estimada em R$ 1,68 bilhão. Diante da dimensão dos danos, a Abavar defende a realização de avaliações detalhadas nas propriedades e a atuação conjunta de governos, instituições financeiras, órgãos técnicos e entidades representativas para viabilizar a recuperação das lavouras.
O Governo de São Paulo anunciou, na quarta-feira (16), medidas de apoio aos agricultores atingidos pelas chuvas. Entre elas está a possibilidade de prorrogar para 2027 as parcelas do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) com vencimento entre 11 de setembro e 31 de dezembro de 2026. Os produtores interessados devem solicitar a prorrogação em uma Casa da Agricultura ou em uma unidade do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp).
O Estado também prepara uma linha emergencial de crédito para auxiliar na retomada da produção. As condições de financiamento ainda serão definidas com base no levantamento dos prejuízos. Mais de 25 técnicos das regionais da Secretaria de Agricultura participarão das avaliações, conforme as águas baixarem e os acessos forem liberados com segurança. O trabalho inclui orientações sobre a recuperação das atividades agrícolas e acompanhamento específico dos bananais.
A Secretaria de Agricultura também instituiu um grupo emergencial para levantar os danos causados pelas chuvas e produzir informações técnicas destinadas a fundamentar medidas de assistência aos produtores.
Embora as primeiras estimativas já indiquem prejuízos milionários, o impacto definitivo das enchentes ainda depende da avaliação das áreas que permaneceram alagadas ou inacessíveis. A recuperação da bananicultura deverá envolver tanto o tratamento de plantas que possam ser preservadas quanto o replantio das áreas comprometidas. O levantamento técnico será determinante para estabelecer a extensão das perdas e as necessidades de financiamento dos produtores. *Matéria da Rádio/CBN Santos - 97.3 FM - 19/09/2026.
Acervo digital
Artigos Técnicos
Anunciantes
Eventos
Notícias do Pomar
Tecnologia
Vídeos