Agricultura testa equipamento de inteligência artificial para monitoramento de insetos em videiras

A armadilha gera imagens dos insetos capturados, que são analisadas automaticamente pelo sistema, indicando a presença da Lobesia botrana ou de outras espécies suspeitas

25/03/2026 11:33
Agricultura testa equipamento de inteligência artificial para monitoramento de insetos em videiras

A instalação do sistema automatizado ocorreu na terça-feira (24), na Serra Gaúcha - Técnicos do Departamento de Defesa Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDV/Seapi) finalizaram, nessa terça-feira (24/3), a instalação do primeiro equipamento de monitoramento automático de pragas em parreirais de uva em Bento Gonçalves. O novo sistema passará por uma fase de testes com duração de seis meses. A iniciativa representa a possibilidade de incorporação da tecnologia de inteligência artificial ao sistema de vigilância fitossanitária do Estado.

O equipamento se agrega ao sistema de prevenção contra a  Lobesia botrana,  mariposa que tem a videira como hospedeira. Embora a espécie não esteja presente no Brasil, é classificada como inseto quarentenário com alto potencial de estabelecimento no território nacional. Por esse motivo, são adotadas medidas preventivas rigorosas para evitar sua introdução, entre elas o monitoramento contínuo por meio de armadilhas, que funcionam como sistemas de detecção precoce.
Armadilha com inteligência artificial está em fase de teste na Serra
 
Atualmente, 20 armadilhas convencionais estão instaladas em parreirais de 15 municípios e são inspecionadas quinzenalmente por técnicos da Seapi, em sua maioria engenheiros agrônomos. Esses profissionais são responsáveis pela substituição das placas adesivas e pela análise do material coletado em busca de espécimes suspeitos. Em caso de identificação preliminar, o material é encaminhado para análise em laboratório oficial. A cada 45 dias, também é realizada a troca do feromônio - o atrativo sexual contido nas armadilhas -, cuja função é liberar um odor que atrai os insetos e facilita sua captura.
Dados no aplicativo em tempo real - "Com a instalação da nova armadilha, esse processo passa a ser amplamente automatizado. O servidor da Secretaria precisará apenas substituir o feromônio a cada 45 dias, período em que sua capacidade de atração se mantém ativa. O novo equipamento utiliza o mesmo sistema adesivo e o mesmo atrativo do convencional, mas incorpora tecnologia de inteligência artificial para a captura de imagens e a identificação da espécie, com os dados disponibilizados em tempo real por meio de um aplicativo", explica a chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal do DDV, Deise Riffel.
A armadilha gera imagens dos insetos capturados, que são analisadas automaticamente pelo sistema, indicando a presença da  Lobesia botrana ou de outras espécies suspeitas. O monitoramento passa a ocorrer de forma contínua, e a frequência de geração das imagens pode ser configurada conforme a necessidade técnica. As imagens e os alertas são enviados para um aplicativo instalado no celular, permitindo a verificação pelos técnicos e a atuação em etapa complementar à análise automatizada.
"O novo sistema aprimora significativamente o trabalho, porque permite um monitoramento mais eficiente e ágil", observa o fiscal agropecuário da Seapi, Marcos Antônio Cambruzzi, que participou da instalação do equipamento e um dos responsáveis pelo monitoramento das armadilhas convencionais. *Elstor Hanzen/Ascom Seapi - Fotos: Divulgação/Ascom Seapi