DDPA intensifica monitoramento de abelhas mamangavas nativas na fronteira com o Uruguai

A iniciativa surgiu diante da possibilidade de entrada no Brasil da mamangava europeia (Bombus terrestris), uma espécie invasora introduzida no Chile para polinização agrícola

09/02/2026 12:51
DDPA intensifica monitoramento de abelhas mamangavas nativas na fronteira com o Uruguai

Secretaria da Agricultura segue estudo e faz coleta para novas etapas do projetoO Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi) avançou em mais uma etapa do monitoramento de abelhas mamangavas nativas na região de fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai. As ações ocorreram na última terça-feira (27/1) e quarta-feira (28/1) e integram o projeto ?Status das espécies de mamangavas nativas (Bombus) em áreas suscetíveis à invasão de Bombus terrestris na fronteira Brasil?Uruguai?, iniciado em setembro de 2025. 

A iniciativa surgiu diante da possibilidade de entrada no Brasil da mamangava europeia (Bombus terrestris), uma espécie invasora introduzida no Chile para polinização agrícola. Embora contribua para o aumento da produtividade de culturas como o tomate, essa espécie pode competir por recursos naturais com as mamangavas nativas e transmitir doenças, representando risco ambiental para as populações locais.

Segundo a coordenadora do estudo, a pesquisadora do DDPA Sidia Witter, o objetivo principal é ?avaliar a composição, a abundância e o uso de recursos florais por espécies de abelhas nativas de Bombus em áreas vulneráveis à invasão da espécie exótica B. terrestris, gerando subsídios para ações de conservação e políticas públicas?.
 
DDPA/Seapi realizou nos dias 27/1 e 28/1 nova etapa de monitoramento de mamangavas nativas 
 
O monitoramento é realizado mensalmente e abrange nove municípios da fronteira: Arroio Grande, Pedro Osório, Herval, Pinheiro Machado, Pedras Altas, Candiota, Hulha Negra, Bagé e Aceguá, totalizando 320 quilômetros percorridos por mês ao longo das beiras de estrada. Até o momento, não há registros da espécie de mamangava invasora no Rio Grande do Sul.
Flora nativa do Bioma Pampa
Centro de Pesquisa de Hulha Negra integra os estudos - Parte dos experimentos de campo são desenvolvidos no Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Sistemas Integrados e Meteorologia Aplicada (Cesimet), ligado ao DDPA, em Hulha Negra, onde foram cultivadas áreas de trevo vermelho, ervilhaca e feijão, plantas reconhecidas pela elevada atratividade para mamangavas. O arranjo das áreas com diferentes espécies de leguminosas busca garantir oferta contínua de flores ao longo do ano, permitindo análises mensais das populações de mamangavas nativas.
 
 
Pesquisadores do DDPA/Seapi realizando pesquisa a campo do projeto mamangavas nativas
 
O cultivo de leguminosas, além de alinhado com o manejo do campo nativo, é altamente atrativo para espécies nativas de  Bombus e pode representar uma alternativa relevante de recursos alimentares para estas e outras abelhas nativas, além ser utilizada para a cobertura do solo e aporte de nitrogênio principalmente em áreas de pastagens tão importantes para região. Portanto, a conservação das abelhas nativas  Bombus está alinhada ao manejo das pastagens nativas do Bioma Pampa.
O melhoramento das pastagens nativas integrada à pecuária tradicional reforça a resiliência dos sistemas produtivos e os serviços ecossistêmicos essenciais, como a polinização, demonstrando que a conservação da biodiversidade e a produção pecuária sustentável podem caminhar lado a lado.
A pesquisa é coordenada e conduzida por pesquisadores do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Agronômica (Ceagro), de Porto Alegre, e do Cesimet, com a colaboração de pesquisadores da Universidade de São Paulo ( USP), Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Orientação à população - Caso uma mamangava europeia (veja diferenças entre a mamangava europeia e as nativas do Rio Grande do Sul na imagem acima) seja observada no Brasil, a orientação é não eliminar o inseto. A ocorrência deve ser comunicada ao DDPA pelo e-mail muse.ento.rgc@gmail.com, preferencialmente acompanhada de foto e localização geográfica.
*Texto: Fabrízio Fernández/ Ascom Seapi - Fotos: Fernando Dias/ Ascom Seapi - Tel: (51) 3288-6210/ 288-6211/3288-6224/3288-6228.