Cientistas identificam um gene chave na tolerância ao sal em macieiras

A tolerância ao sal é mais importante do que nunca. Esse tipo de estresse afeta mais de 6% da superfície terrestre e coloca em risco culturas essenciais, como as macieiras

11/02/2026 16:34
Cientistas identificam um gene chave na tolerância ao sal em macieiras

Em um novo estudo publicado na revista Horticulture Research, cientistas da Universidade Agrícola de Shandong (China) identificaram um gene fundamental que pode abrir caminho para o cultivo de maçãs em solos salinos: MdWRKY9.

Quando o solo tem excesso de sal, as raízes da macieira são as primeiras a sofrer. Elas não só têm dificuldade em absorver água, como também precisam lidar com o excesso de sódio, que danifica suas células.

É aí que entra em ação o MdWRKY9, um gene que se torna mais ativo sob estresse salino. Esse gene regula outros genes responsáveis ??por manter o equilíbrio de sais dentro das células, ajudando a planta a evitar danos e a continuar crescendo.

Os pesquisadores inseriram o gene MdWRKY9 em plantas modelo de Arabidopsis thaliana para observar seu efeito. Os resultados foram claros: elas cresceram melhor sob estresse salino e mantiveram um bom equilíbrio de sódio e potássio, dois minerais essenciais.

A ação do MdWRKY9 não ocorre isoladamente. O estudo mostrou que ele está intimamente ligado a um hormônio vegetal: o ácido jasmônico, uma molécula sinalizadora que é ativada quando a planta sofre com seca, lesões ou salinidade. Quando os níveis de ácido jasmônico aumentam, ele libera o MdWRKY9 de seus inibidores naturais ? as proteínas JAZ ? permitindo que ele ative genes-chave como MdNHX1 e MdSOS2. Ambos os genes ajudam a movimentar e equilibrar os sais dentro da célula. Juntos, eles formam uma rede de defesa natural que pode ser aprimorada por meio de edição genética ou melhoramento genético direcionado.

Além da macieira: um modelo para lidar com solos salinosEssa descoberta oferece um modelo que pode ser aplicado a outras culturas que também sofrem com solos salinos. Embora ainda em fase experimental, abre caminho para uma agricultura mais resiliente.

Culturas geneticamente adaptadas a condições adversas significam menos perdas, maior produção e maior rentabilidade para o agricultor. *Fundação Antama - AgroAvances/Bolívia